O mercado global entra em 2026 marcado por uma mudança clara de comportamento: a cautela deixou de ser momentânea e passou a fazer parte da lógica permanente de decisão. Surge com mais força a demanda por um consumo consciente.
Após anos de inflação elevada, instabilidade econômica e tensões geopolíticas, os consumidores aprenderam a conviver com a volatilidade — e isso impacta diretamente a forma como compram.
Segundo o relatório Consumer Outlook: Guide to 2026, da NielsenIQ, os consumidores continuam gastando, mas de forma intencional. Cada compra precisa “merecer” seu espaço no orçamento.
Embora 30% dos consumidores globais afirmem estar em melhor situação financeira do que há um ano, 32,8% dizem estar em pior condição — e 73% desses atribuem a piora ao aumento do custo de vida. Além disso, 60% estão buscando fontes adicionais de renda, mesmo entre aqueles que se consideram financeiramente estáveis.
Nesse cenário, qualidade, confiança e simplicidade ganham protagonismo. Para os pequenos negócios, entender esse novo perfil de consumo é fundamental para crescer com estratégia em 2026.
O que mudou no comportamento do consumidor em 2026
A principal mudança não é necessariamente no volume de consumo, mas na intenção por trás de cada compra. O consumidor está mais criterioso e avalia melhor o custo-benefício.
O relatório aponta que o crescimento no setor não deve vir de novos aumentos de preços, mas de ganho em volume e frequência de compra. Em 2025, o crescimento global em valor nas categorias de FMCG (Fast-Moving Consumer Goods), ou Bens de Consumo de Giro Rápido, foi de 3,5%, com crescimento de volume de 0,9%, sinalizando um mercado mais moderado e competitivo.
Além disso, os consumidores estão priorizando despesas consideradas essenciais, como saúde, moradia e educação, enquanto planejam reduzir gastos com alimentação fora de casa, entretenimento externo e delivery.
Transparência e confiança como fatores decisivos
A confiança se consolidou como um dos principais critérios de decisão. De acordo com a NielsenIQ, 95% dos consumidores afirmam que confiar na marca é algo muito ou moderadamente importante no momento da compra.
Quando questionados sobre o que influencia essa confiança, qualidade e consistência do produto aparecem como fatores centrais, seguidos por atendimento ao cliente e práticas empresariais transparentes. Sustentabilidade e impacto social continuam relevantes, mas passam a ser considerados requisitos básicos, e não diferenciais.
Isso significa que promessas vagas não são suficientes. O consumidor espera coerência entre discurso e prática.
Prioridade em qualidade e controle de gastos
Outra mudança importante está na forma de planejar as compras. O estudo mostra que:
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41% dos consumidores preparam lista antes de ir às compras
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38% planejam com antecedência para controlar os gastos
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Apenas 22% decidem a maioria das compras dentro da loja
Além disso, 52% afirmam que compram apenas o que sabem que vão utilizar para evitar desperdício, e 30% priorizam alimentos fáceis de preparar ou consumir.
Isso reforça que o consumidor busca praticidade, mas sem abrir mão da eficiência financeira.
O cenário econômico: melhora na percepção, mas cautela permanece
Embora haja sinais de melhora no sentimento financeiro, a insegurança não desapareceu.
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30% dizem estar em melhor situação financeira do que no ano anterior
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32,8% afirmam estar em pior situação
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60% estão buscando fontes extras de renda
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31% se consideram financeiramente estáveis ou “prosperando”, número superior ao ano anterior
Mesmo com essa melhora gradual na confiança, a cautela continua moldando decisões. O relatório destaca que o consumidor se adaptou à volatilidade como uma condição permanente.
Os números do consumo consciente no Brasil
O Brasil acompanha essa tendência global. Segundo dados recentes, 80% dos brasileiros planejam adotar hábitos mais sustentáveis em 2026. As principais áreas de interesse são:
- Alimentação consciente e menos processada (58% dos brasileiros)
- Transporte mais sustentável (35%)
- Redução de consumo de plástico e descartáveis (destacado por mais de 50%)
- Compra de produtos com certificação ambiental
- Apoio a marcas que demonstram responsabilidade social
Esses números mostram que o mercado brasileiro está pronto para mudanças. Pequenos negócios que se posicionarem bem nessa transição terão vantagem competitiva significativa.
Comércio digital e novas expectativas
O consumidor também espera mais eficiência na jornada de compra. A pesquisa indica que entregas mais lentas que “no dia seguinte” já não são consideradas atrativas.
Ao mesmo tempo, embora o e-commerce cresça, as lojas físicas continuam relevantes. Nos Estados Unidos, por exemplo, as vendas online ganharam participação, mas as compras em loja ainda representam cerca de 77% das vendas de FMCG.
Isso mostra que o futuro é omnichanel: o consumidor transita entre canais e espera conveniência em todos eles.
O que isso significa para o seu negócio
Para pequenos negócios, o cenário traz desafios e oportunidades.

Em um mercado onde cada compra precisa justificar seu valor, negócios que entregam qualidade real e constroem relacionamento tendem a se destacar.
Boas práticas para adaptar seu negócio
1. Comece com um diagnóstico honesto
Avalie onde você está hoje em relação à sustentabilidade. Quais são seus maiores impactos negativos? Qual é seu desperdício principal? Onde você pode fazer mudanças viáveis rapidamente? Um plano de negócios bem estruturado pode incluir um eixo de sustentabilidade que guia essa avaliação.
2. Estabeleça metas claras e comunicáveis
Você precisa saber exatamente o que quer alcançar. Por exemplo: “Reduzir embalagens de plástico em 50% até 2027” ou “Usar 100% de energia renovável até 2026” são metas claras que você pode comunicar.
3. Eduque seus clientes
Muitos consumidores querem ser conscientes, mas não sabem como. Você pode criar conteúdo educativo, dicas de uso, guias de descarte responsável. Isso posiciona sua marca como líder de opinião.
4. Busque certificações relevantes
Dependendo do seu setor, existem certificações que validam sua prática. Elas dão credibilidade e facilitam a confiança do consumidor. Pesquise as certificações mais relevantes para seu nicho.
5. Acompanhe e comunique resultados
Se você atingiu uma meta, compartilhe! Transparência sobre progresso constrói confiança. Se enfrentou desafios, compartilhe também — autenticidade é apreciada.
6. Busque inovação para pequenos negócios que incorpore sustentabilidade
Novas tecnologias, processos e modelos de negócio podem tornar sua operação mais sustentável. Investir em inteligência artificial para pequenos negócios também pode otimizar seus processos e reduzir desperdícios.
O papel da inovação e tecnologia
A tecnologia é uma aliada importante na jornada do consumo consciente. Sistemas de gestão mais eficientes reduzem desperdício.
Plataformas de e-commerce conectam você com clientes conscientes globalmente. Ferramentas de rastreamento permitem mostrar aos clientes a origem do produto.
Para pequenos negócios em especial, a tecnologia oferece maneiras de competir em pé de igualdade com empresas maiores, criando experiências personalizadas e transparentes.
Seus próximos passos
O consumo em 2026 não é marcado por retração, mas por intenção. O consumidor continua comprando — porém com mais critério, planejamento e foco no essencial. Para os pequenos negócios, isso exige estratégia, organização financeira e clareza na proposta de valor.
Se você quer adaptar seu negócio a esse novo comportamento de consumo e estruturar ações mais alinhadas ao mercado atual, o Sebrae RN pode ajudar.
O Sebrae oferece consultorias, capacitações e ferramentas práticas para que você fortaleça sua gestão, melhore sua competitividade e cresça com segurança em um cenário de consumo mais cauteloso.
Acesse o site do Sebrae RN ou procure a unidade mais próxima e dê o próximo passo para posicionar seu negócio de forma estratégica em 2026.