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Cajucultura no Rio Grande do Norte e o momento de dar o salto

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Adaptação de artigo publicado originalmente na Tribuna do Norte em 07 de julho de 2026.

 


 

A cajucultura existe no no Rio Grande do Norte como negócio desde o governo de Cortez Pereira, nos anos 70. Cinco décadas depois, a atividade não apenas sobreviveu às transformações econômicas e climáticas do semiárido: ela cresceu, se modernizou e colocou o RN na liderança nacional do setor.

A explicação para essa resiliência começa na própria planta.

Por que o cajueiro?

Porque poucas plantas se adaptam tão bem às condições do semiárido nordestino. O cajueiro não apenas tolera o semiárido: ele foi feito para ele. Durante a grande seca que atingiu o Nordeste entre 2012 e 2017, os pomares de cajueiro-anão resistiram enquanto outras lavouras sofreram perdas severas. Segundo a Embrapa, a cultura ainda pode ser integrada à produção de forragem animal, ampliando a renda do produtor e contribuindo para a melhoria do solo.

Rentabilidade além da castanha

O cajueiro não é apenas resiliente: é também economicamente atrativo. A castanha gera a amêndoa beneficiada; o pedúnculo abastece a produção de sucos, polpas, cajuína e caju de mesa. Estudos da Revista Econômica do Nordeste, publicados pelo BNB, mostram que a exploração conjunta desses produtos apresenta indicadores de rentabilidade superiores aos de diversas alternativas do mercado financeiro e do setor agropecuário regional.

Os resultados podem ser observados em Serra do Mel, reconhecida como Capital da Castanha. Com cerca de 13 mil hectares cultivados, o município registrou, em 2023, PIB per capita de R$ 52,3 mil, um dos maiores do Rio Grande do Norte, segundo o IBGE. A cajucultura no RN movimenta agroindústrias, gera empregos e fortalece o cooperativismo local.

 

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Foto: Acervo Sebrae RN

 

O Rio Grande do Norte na liderança nacional da cajucultura

Dados apresentados pela Embrapa na Expofruit 2025 mostram que o Rio Grande do Norte foi o estado que mais cresceu na cajucultura brasileira entre 2020 e 2024. A produtividade também chama atenção: enquanto a média nordestina ficou em 290 quilos de amêndoa por hectare em 2023, o estado alcançou 550 quilos por hectare, quase o dobro da média regional.

Apesar desse desempenho expressivo, a castanha de caju do RN ainda ocupa espaço modesto na pauta exportadora potiguar. O mercado internacional, no entanto, demonstra potencial de crescimento significativo. O Vietnã, maior exportador mundial de amêndoa beneficiada, alcançou em 2025 mais de US$ 5 bilhões em exportações do produto, evidenciando a força e o tamanho desse mercado global.

O papel do Sebrae RN na revitalização da cajucultura

O Sebrae RN amplia o Projeto de Revitalização da Cajucultura. Utilizando os clones desenvolvidos pela Embrapa, parceira de primeira hora do projeto, a instituição está atendendo este ano mais 200 produtores em 2.000 hectares localizados em Ceará Mirim, Apodi e Mossoró. A meta é fechar 2026 com 800 produtores em mais de 4.000 hectares de pomares revitalizados, combinando mudas melhoradas, assistência técnica, gestão e acesso a mercados.

A cajucultura potiguar avança também em outras frentes estratégicas. A castanha de Serra do Mel conquistou a Indicação Geográfica do INPI, consolidando sua reputação no mercado nacional e internacional. Um projeto piloto de agricultura regenerativa avança em Serra do Mel, apontando para um modelo de produção mais sustentável e com maior valor agregado.

➔ Leia mais sobre agricultura regenerativa no nosso artigo

O que falta para o salto exportador

Agregar valor, beneficiar e criar novos produtos são os desafios a serem enfrentados para que a cajucultura no Rio Grande do Norte ocupe o espaço que sua produtividade já justifica no mercado internacional. O caminho passa por industrialização, inovação e acesso a mercados externos, transformando a vantagem produtiva em vantagem competitiva de verdade.

O território está pronto, o produto tem mercado e os produtores potiguares têm mostrado sua capacidade. O salto está ao alcance.

 


Leia a versão original completa em: tribunadonorte.com.br/colunas/artigos/a-cajucultura-potiguar-e-o-momento-de-dar-o-salto

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