A economia do conhecimento é o modelo de desenvolvimento em que ciência, tecnologia, inovação e profissionais qualificados se tornam os principais motores de produtividade, renda e emprego. Neste artigo, apresentamos cinco decisões para que o Rio Grande do Norte avance nesse caminho.
No artigo anterior, perguntamos aos candidatos ao Governo do Estado: qual é o projeto para inserir o Rio Grande do Norte na economia do conhecimento? A pergunta continua de pé. Mas perguntar não basta. É preciso propor.
Os ativos do RN para a economia do conhecimento
Os ativos existem. O RN lidera o Nordeste no Índice Brasil de Inovação e Desenvolvimento. Tem universidades, institutos de pesquisa, empresas, empreendedores e profissionais qualificados. O Instituto Metrópole Digital reúne 224 empresas e cerca de 3.600 empregos. O Estado está entre os dez com mais startups do País.
O que ainda não conseguimos foi articular esses ativos em uma estratégia permanente de transformação econômica. Temos as peças. Falta o projeto que as una.
Propomos cinco decisões.
1. Ciência, Tecnologia, Inovação e Empreendedorismo como política de Estado
A primeira é transformar Ciência, Tecnologia, Inovação e Empreendedorismo em política de Estado. O Marco Legal já existe; falta fazê-lo funcionar e fixar prioridades e metas que ultrapassem um mandato. Ciência não pode recomeçar a cada governo.
2. Uma FAPERN forte e com autonomia
A segunda é fortalecer a FAPERN e dar-lhe maior autonomia. O Estado precisa de uma Fundação forte, profissional e protegida das descontinuidades de cada mudança de governo.
A referência é a FAPESP, que em mais de seis décadas mostrou o valor de combinar autonomia, governança técnica e financiamento previsível. Não se trata de copiar São Paulo, mas de aprender com um modelo que manteve a política científica de pé.
A FAPERN deve ter gestão profissional, dirigentes escolhidos por critérios técnicos, mandatos definidos e participação das comunidades científica, tecnológica e empresarial.
3. Financiamento estável para a política de CT&I
A terceira é assegurar à política de CT&I financiamento estável e crescente. Autonomia sem recursos previsíveis não produz continuidade. Propomos destinar ao FUNDET, sob gestão da FAPERN, o equivalente a 0,5% da receita tributária líquida em 2027, 0,75% em 2028 e 1% a partir de 2029. O Fundo deve ter recursos protegidos para suas finalidades e saldos preservados para projetos plurianuais.
4. Foco nas áreas em que o RN pode estar entre os melhores
A quarta é escolher onde queremos estar entre os melhores. Nenhum Estado é excelente em tudo. Transição energética, Inteligência Artificial e tecnologias digitais, saúde e biotecnologia, materiais avançados e tecnologias para o Semiárido são áreas em que nossas competências encontram nossas vantagens naturais e econômicas. Foco não é limitação. É estratégia.
5. Conhecimento que vira empresas, produtividade e empregos
A quinta é transformar conhecimento em empresas, produtividade e empregos qualificados. Inovação nasce também em startups, incubadoras e pequenos negócios de base tecnológica. Para isso, é preciso aproximar universidades, institutos de pesquisa, Sebrae, parques tecnológicos, investidores, empresas e governo. A pesquisa deve gerar tecnologia; a tecnologia, novos negócios; e os novos negócios, riqueza e oportunidades para os potiguares.
Um pacto de longo prazo pela economia do conhecimento
Essas cinco decisões precisam de algo que as una: um pacto de longo prazo pela economia do conhecimento, com compromissos mensuráveis e acompanhamento pela sociedade. Política de Estado começa quando os compromissos sobrevivem aos governos.
O RN já demonstrou ter potencial. Já sabemos o que precisa ser feito. Em 2026, cabe aos candidatos dizer se têm a decisão política de fazê-lo. E à sociedade, cobrar.
O que a economia do conhecimento significa para quem empreende
Quando o conhecimento se transforma em negócio, os efeitos chegam à ponta.
Uma pesquisa desenvolvida na universidade pode dar origem a uma startup, uma nova tecnologia pode elevar a produtividade de uma indústria e uma solução digital pode abrir mercado para um pequeno negócio do interior.
Por isso, essa agenda interessa diretamente a quem empreende. Políticas de inovação contínuas, com financiamento previsível e prioridades claras, criam um ambiente em que empresas de base tecnológica conseguem nascer, atrair investimento e crescer no próprio estado.
Os negócios tradicionais também ganham com esse movimento, porque passam a contar com mais acesso a tecnologia, parcerias com centros de pesquisa e profissionais qualificados. Assim, a inovação chega à rotina de pequenos negócios de todos os setores, do comércio à agroindústria.
As áreas apontadas como prioritárias também abrem espaço para pequenos negócios. A transição energética movimenta empresas de instalação e manutenção de energia solar, a Inteligência Artificial e as tecnologias digitais criam demanda por serviços e soluções locais, e as tecnologias para o Semiárido podem gerar negócios ligados ao uso eficiente da água e à produção no campo.
Quanto mais clara for a estratégia do Estado, mais fácil fica para o empreendedor enxergar onde investir.
O Sebrae RN atua nessa ponte, aproximando empreendedores de universidades, institutos de pesquisa, parques tecnológicos e investidores, com programas de inovação, capacitação e apoio a quem quer transformar conhecimento em negócio.
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Artigo escrito em coautoria por Ivonildo Rêgo, diretor geral do Instituto Metrópole Digital (IMD), professor e ex-reitor da UFRN.