Negócios

Artesanato potiguar na Fenearte 2026: tradição, tipologias e novos mercados

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O artesanato potiguar na maior feira da América Latina

De 8 a 19 de julho de 2026, Olinda recebe a 26ª edição da Fenearte. E o Rio Grande do Norte está presente lá.

Informações e compra de ingressos aqui.

O que é a Fenearte?

A Feira Nacional de Negócios do Artesanato é considerada a maior do segmento na América Latina. Em 12 dias, mais de 5 mil artesãos e empreendedores da economia criativa de todo o Brasil e do exterior ocupam cerca de 700 espaços de comercialização no Pernambuco Centro de Convenções. 

A programação inclui oficinas, desfiles de moda, salões de design, aulas de gastronomia e mais de 70 atrações culturais.

A feira funciona como vitrine global e ambiente ativo de negócios: rodadas comerciais, prospecção de fornecedores e acesso a compradores internacionais fazem dela uma porta de entrada real para quem quer expandir a atuação além do estado ou do país.

O Rio Grande do Norte está presente nesta edição com estande próprio, quatro coletivos de artesãos e presença confirmada nas rodadas de negócios internacionais com compradores da África do Sul, Japão, Colômbia e México.

A participação é viabilizada pelo Sebrae RN em parceria com o Instituto Riachuelo, com apoio da ApexBrasil para as negociações internacionais.

 

Os coletivos que levam o artesanato potiguar à Fenearte

Quatro coletivos potiguares estão presentes na Fenearte 2026, cada um representando uma faceta diferente da produção artesanal do estado:

Casa das Bordadeiras

Bordado tradicional em máquina de pedal, técnica que une destreza, identidade e memória cultural.

Rendeiras de Alcaçuz

Guardiãs da renda de bilro, patrimônio imaterial vivo que resiste e se renova em cada fio trançado há mais de quatro séculos.

Terra Poty 

Cerâmica potiguar em toda a sua diversidade, da produção tradicional às peças contemporâneas. 

O coletivo reúne hoje 49 artesãos e tem 20 representados na feira. Participou da Fenearte pela primeira vez quando reunia apenas sete integrantes.

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Foto: acervo Sebrae RN

 

Casa de Vó

Artesanato de Assú e Mossoró com temática afetiva, resgatando memórias, cultura popular e a identidade do interior do RN.

A artesã Maria do Carmo Porfírio da Costa, reconhecida como Mestra da Cultura pela Fundação José Augusto, também integra a delegação, ao lado de sua filha Cláudia Patrícia, terceira geração de artesãs da família, que participa pela primeira vez de um evento internacional.

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A riqueza das tipologias do artesanato potiguar

O artesanato do Rio Grande do Norte é plural. Cada região do estado carrega suas próprias técnicas, materiais e histórias, construídas ao longo de gerações com saberes passados de mão em mão.

Renda de bilro

De herança portuguesa, a técnica da renda de bilro chegou ao território potiguar há mais de quatro séculos. 

Na Vila de Ponta Negra, em Natal, a mestra Maria de Lourdes de Lima, Vó Maria, foi responsável por resgatar e manter viva a prática. Há mais de vinte anos, o núcleo de rendeiras de Ponta Negra se reúne para rendar e conservar esse patrimônio. 

Em 2020, as Rendeiras de Bilro da Vila de Ponta Negra foram reconhecidas como Patrimônio Cultural Imaterial do Município de Natal, pela Lei nº 8.139.

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Renda de Bilro da Vila de Ponta Negra / Crédito das fotos: Divulgação

 

Bordado do Seridó

A arte de bordar chegou ao interior do RN no início do século XVIII pelas mãos das mulheres dos colonizadores portugueses da Ilha da Madeira. Flores, folhas e arabescos desenhados sobre tecidos de algodão e linho definem o estilo reconhecido internacionalmente. 

Em 2020, o Bordado de Caicó conquistou o selo de Indicação Geográfica do INPI, válido para a produção em 12 municípios do Seridó. Atualmente, estima-se que mais de 15 mil pessoas trabalhem com o bordado na região. 

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Foto: Agência Sebrae de Notícias RN

 

Cerâmica

Do utilitário ao contemporâneo, a cerâmica potiguar abrange alta e baixa temperatura, peças figurativas, religiosas e autorais. 

O Coletivo Terra Poty representa hoje a diversidade dessa produção, reunindo mestres e novos ceramistas em torno do fortalecimento e da valorização da cerâmica do RN.

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Foto: acervo Sebrae RN

 

Outras tipologias

O artesanato do RN também inclui madeira entalhada, esculturas de santos e animais, artigos em couro, objetos de palha, trançados de cipó, fibras naturais como sisal e carnaúba

Além da ciclogravura, técnica que imprime as paisagens do Nordeste em garrafinhas preenchidas com areias coloridas das praias potiguares.

 

Por que o artesanato potiguar é também um negócio

Participar da Fenearte vai além de mostrar o que se produz. É negociar, prospectar mercados, formar preços para exportação e construir conexões que abrem portas além do estado. 

Para artesãos que muitas vezes trabalham de forma isolada, estar em um evento dessa magnitude com suporte técnico e comercial é um salto real de desenvolvimento.

O Sebrae RN tem atuado para que esse salto seja possível: capacitando os coletivos, apoiando a formação de preços para exportação, conectando artesãos às oportunidades e construindo uma presença institucional que valoriza a identidade cultural do RN como ativo econômico.

O artesanato potiguar é cultura, negócio, renda, identidade e mercado. 

E a Fenearte 2026 é mais uma prova de que esse mercado vai além das fronteiras do estado.

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